Doenças crônicas: as mais comuns no Brasil e como prevenir

Doenças crônicas são problemas de saúde que se desenvolvem devagar e duram muitos anos, como pressão alta, diabetes, doenças do coração, câncer e doenças respiratórias crônicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), elas causam cerca de 74% de todas as mortes no mundo. A boa notícia é que boa parte delas pode ser prevenida ou controlada com hábitos do dia a dia e acompanhamento regular.

O que são doenças crônicas não transmissíveis?

São chamadas de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) porque não passam de uma pessoa para outra e têm evolução longa. Os quatro grupos principais são:

  • doenças cardiovasculares: infarto, AVC (derrame) e insuficiência cardíaca;
  • câncer;
  • doenças respiratórias crônicas: asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);
  • diabetes.

A hipertensão arterial e o colesterol alto entram nessa lista como condições crônicas que aumentam muito o risco de infarto e AVC.

As mais comuns no Brasil

O inquérito telefônico Vigitel, do Ministério da Saúde, acompanha a saúde dos adultos nas capitais brasileiras. Nos levantamentos mais recentes, cerca de 28% dos adultos relatam diagnóstico médico de hipertensão e cerca de 10% relatam diabetes. A obesidade atinge aproximadamente um em cada quatro adultos.

Muitas dessas condições não dão sintomas no início. É comum a pessoa descobrir a pressão alta ou o diabetes num exame de rotina, ou depois de uma complicação.

Fatores de risco: o que aumenta a chance

A OMS aponta quatro comportamentos que respondem pela maior parte do risco:

Fator de riscoPor que importa
TabagismoPrincipal causa evitável de câncer, infarto, AVC e DPOC
Alimentação inadequadaExcesso de sal, açúcar e ultraprocessados favorece hipertensão, obesidade e diabetes
SedentarismoFalta de atividade física aumenta o risco de doenças do coração, diabetes e alguns tipos de câncer
Consumo de álcoolLigado a hipertensão, doenças do fígado, câncer e acidentes

Esses comportamentos levam a alterações que também são fatores de risco: pressão alta, glicose alta, colesterol alto e excesso de peso. Idade e histórico familiar também contam, mas não podem ser mudados.

Como prevenir no dia a dia

Não fumar

Parar de fumar traz benefícios em qualquer idade. Em poucos anos, o risco de infarto cai de forma importante. O SUS oferece tratamento gratuito para quem quer parar, com apoio e, quando indicado, medicamentos. Pergunte na sua Unidade Básica de Saúde (UBS).

Comer comida de verdade

Basear a alimentação em alimentos in natura e minimamente processados, como recomenda o Guia Alimentar para a População Brasileira, e reduzir sal, açúcar e ultraprocessados. Veja o guia completo de alimentação saudável.

Movimentar o corpo

A OMS recomenda para adultos de 150 a 300 minutos por semana de atividade moderada, como caminhada rápida, ou de 75 a 150 minutos de atividade intensa, além de exercícios de força em 2 dias da semana. Saiba mais sobre os benefícios dos exercícios físicos.

Moderar o álcool

Não existe uma quantidade de álcool totalmente segura. Quanto menos, melhor.

Cuidar do peso

Mesmo uma perda de 5% a 10% do peso em quem tem excesso de peso melhora pressão, glicose e colesterol. Veja como fazer isso com segurança no guia de dietas para emagrecer.

Dormir bem e cuidar da saúde mental

Sono curto e estresse crônico estão associados a pressão alta, ganho de peso e pior controle da glicose.

Exames e consultas de rotina

Como muitas doenças crônicas são silenciosas, o acompanhamento regular é a melhor forma de descobri-las cedo. Em geral, para adultos:

  • pressão arterial: medir pelo menos uma vez por ano, ou com mais frequência se estiver acima do normal;
  • glicemia: a partir dos 35 a 45 anos, ou antes se houver excesso de peso e outros fatores de risco;
  • colesterol: conforme avaliação do médico e dos fatores de risco;
  • rastreamento de câncer: como mamografia, preventivo do colo do útero e exames para câncer de intestino, nas idades indicadas.

A frequência exata depende da idade e do histórico de cada pessoa. A UBS é o lugar certo para começar esse acompanhamento pelo SUS.

Quem já tem uma doença crônica

Ter uma doença crônica não significa perder qualidade de vida. O controle depende de três pilares: tomar os medicamentos como prescrito, manter hábitos saudáveis e fazer consultas de acompanhamento. Nunca interrompa um remédio por conta própria, mesmo que se sinta bem: na hipertensão e no diabetes, sentir-se bem costuma ser justamente o efeito do tratamento.

Quando procurar atendimento de urgência

Ligue para o SAMU (192) ou procure um pronto atendimento em caso de:

  • dor ou aperto no peito que dura mais de alguns minutos;
  • fraqueza ou formigamento de um lado do corpo, boca torta ou dificuldade para falar (sinais de AVC);
  • falta de ar intensa;
  • confusão mental, sonolência extrema ou desmaio.

No AVC e no infarto, cada minuto conta.

Perguntas frequentes

Doença crônica tem cura?

A maioria não tem cura, mas tem controle. Com tratamento e hábitos adequados, é possível viver bem e evitar complicações.

Quem tem histórico na família vai ter a doença?

Não necessariamente. O histórico aumenta o risco, mas hábitos saudáveis reduzem bastante a chance de a doença aparecer ou atrasam o seu início.

Preciso fazer check-up todo ano?

Depende da idade e dos fatores de risco. O médico ou enfermeiro da UBS pode indicar quais exames fazer e com que frequência.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde. Noncommunicable diseases (ficha informativa).
  • Ministério da Saúde. Vigitel Brasil: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília.
  • Ministério da Saúde. Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos não Transmissíveis no Brasil 2021-2030. Brasília, 2021.
  • Organização Mundial da Saúde. Physical activity (ficha informativa).

Sobre o autor

Paulo Vieira é graduado em Enfermagem (UNIFENAS, 2011) e trabalhou 13 anos como técnico de enfermagem na atenção básica do SUS, em Belo Horizonte. No Como Ter Saúde, explica temas de saúde de forma simples e com fontes.

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta com um profissional de saúde. Leia o Aviso Médico e a Política Editorial.

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