Ansiedade: sintomas, causas e quando procurar ajuda

Os sintomas mais comuns de ansiedade são preocupação excessiva e difícil de controlar, inquietação, tensão muscular, coração acelerado, falta de ar, dificuldade para dormir e sensação de que algo ruim vai acontecer. A ansiedade é uma reação normal do corpo diante de desafios, mas se torna um transtorno quando é intensa, dura semanas e atrapalha a rotina. Nesse caso, tem tratamento.

O Brasil está entre os países com maior proporção de pessoas com transtornos de ansiedade: segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 9% da população.

Ansiedade normal ou transtorno?

Ansiedade normalTranstorno de ansiedade
Surge diante de uma situação concreta (prova, entrevista, problema financeiro)Aparece sem motivo claro ou é desproporcional à situação
Passa quando a situação se resolvePersiste por semanas ou meses
Não impede as atividadesAtrapalha trabalho, estudos, sono e relações
Intensidade controlávelSensação de perder o controle

Sintomas da ansiedade

Sintomas emocionais e mentais

  • preocupação constante com várias coisas ao mesmo tempo;
  • medo de que algo ruim aconteça;
  • irritabilidade;
  • dificuldade de concentração ou “mente em branco”;
  • sensação de estar sempre em alerta.

Sintomas físicos

  • coração acelerado ou palpitações;
  • respiração curta ou sensação de falta de ar;
  • tensão muscular, dor no pescoço e nos ombros;
  • suor, tremores, mãos frias;
  • dor de estômago, náusea, diarreia;
  • cansaço;
  • insônia ou sono que não descansa.

Tipos mais comuns

  • Ansiedade generalizada: preocupação excessiva com assuntos do dia a dia, na maior parte dos dias, por pelo menos seis meses.
  • Transtorno de pânico: crises súbitas de medo intenso, com palpitação, falta de ar, tontura e sensação de morte iminente, que atingem o pico em poucos minutos.
  • Ansiedade social: medo intenso de situações em que a pessoa pode ser observada ou julgada.
  • Fobias específicas: medo intenso de algo concreto, como altura, avião ou animais.

O que causa a ansiedade

Não existe uma causa única. Costumam contribuir:

  • predisposição genética e histórico familiar;
  • eventos estressantes, como perdas, separações, desemprego ou problemas de saúde;
  • estresse prolongado no trabalho ou em casa;
  • uso de álcool, cafeína em excesso e outras substâncias;
  • algumas doenças, como alterações da tireoide, que podem imitar sintomas de ansiedade.

Por isso, uma avaliação médica é importante para descartar outras causas.

O que ajuda no dia a dia

Essas medidas não substituem o tratamento quando ele é necessário, mas ajudam muito:

  • Atividade física regular. Caminhar, pedalar ou dançar reduz a tensão e melhora o sono. Veja os benefícios dos exercícios físicos.
  • Sono com horários regulares.
  • Menos cafeína e álcool. Ambos podem piorar os sintomas.
  • Respiração lenta. Inspire pelo nariz contando até 4, solte o ar devagar pela boca contando até 6, por alguns minutos. Isso ajuda a acalmar o corpo numa crise.
  • Limitar o excesso de notícias e redes sociais.
  • Conversar com pessoas de confiança.
  • Organizar as tarefas em listas, dividindo problemas grandes em passos pequenos.

Tratamento

Os transtornos de ansiedade têm tratamento eficaz:

  • Psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, que ensina a reconhecer e mudar padrões de pensamento e comportamento.
  • Medicamentos, como alguns antidepressivos, indicados pelo médico em casos moderados a graves. Calmantes do tipo benzodiazepínico só devem ser usados por pouco tempo e com acompanhamento, pelo risco de dependência.
  • Mudanças no estilo de vida, como as listadas acima.

Nunca comece, pare ou mude a dose de medicamentos por conta própria.

Quando e onde procurar ajuda

Procure ajuda se a ansiedade dura mais de duas semanas, atrapalha a sua rotina ou vem acompanhada de crises de pânico, uso de álcool para aliviar os sintomas ou tristeza persistente.

  • Unidade Básica de Saúde (UBS): primeiro atendimento pelo SUS, avaliação e encaminhamento.
  • CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): para casos graves ou persistentes.
  • CVV (188): apoio emocional gratuito, 24 horas.
  • SAMU (192): em crise com risco imediato.

Dor no peito com falta de ar pode ser ansiedade, mas também pode ser um problema do coração. Na dúvida, procure atendimento de urgência.

Perguntas frequentes

Crise de ansiedade pode matar?

A crise de pânico é muito desconfortável e assusta, mas não costuma ser perigosa por si só. Mesmo assim, sintomas como dor no peito devem ser avaliados por um profissional, principalmente na primeira vez.

Ansiedade tem cura?

Com tratamento, a maioria das pessoas melhora muito e volta a ter qualidade de vida. Algumas precisam de acompanhamento por mais tempo.

Chá calmante resolve?

Chás como camomila e erva-cidreira podem ajudar a relaxar, mas não tratam um transtorno de ansiedade.

Leia também: Saúde mental: como cuidar no dia a dia

Referências

  • Organização Mundial da Saúde. Anxiety disorders (ficha informativa).
  • Organização Mundial da Saúde. Depression and other common mental disorders: global health estimates. Genebra, 2017.
  • American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR). 2022.

Sobre o autor

Paulo Vieira é graduado em Enfermagem (UNIFENAS, 2011) e trabalhou 13 anos como técnico de enfermagem na atenção básica do SUS, em Belo Horizonte. No Como Ter Saúde, explica temas de saúde de forma simples e com fontes.

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta com um profissional de saúde. Leia o Aviso Médico e a Política Editorial.

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